Pontos críticos facilitam invasão

Os constantes arrastões promovidos por quadrilhas especializadas têm aumentado a procura por seguros residenciais. Segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), a estimativa é que a proteção residencial cresça entre 30% e 35% nos próximos meses.

A migração dos bandidos que antes assaltavam bancos para os arrastões em condomínios revelou a precariedade dos sistemas de segurança em prédios comerciais e residenciais, que se tornaram alvos fáceis e altamente rentáveis.

De acordo com José Antônio Caetano, diretor-comercial do Grupo Haganá, empresa especializada em segurança patrimonial de condomínios, portadora de uma carteira de 3,5 mil funcionários e mil clientes na Grande São Paulo, 97% das invasões ocorrem pela porta da frente.

Ele explica que existem três pontos críticos: entrada social, entrada de serviço e garagem. "Um falso entregador de pizza pode entrar facilmente em um prédio e render os moradores", alerta. Para reduzir esse problema, a empresa, que registra um crescimento de 30% ao ano, disponibiliza um sistema digital de monitoramento de imagens via Internet, de última geração, o Haganá Vision.

Caetano afirma que o objetivo da iniciativa é visualizar em tempo real e remotamente áreas ou locais considerados críticos e vulneráveis, como por exemplo o interior de uma guarita. "Desse modo, temos condições de controlar tudo que ocorre no local e acionar, quando preciso, uma equipe de supervisão e apoio operacional, que consiste, atualmente, em 90 viaturas", conta o executivo. "Todos os eventos são registrados pela central de monitoramento, que também emite relatórios de atividades", acrescenta.

Sempre alerta – As imagens geradas pelo sistema em toda a área do condomínio podem ser gravadas e armazenadas por até 168 horas. Lançado no início do ano, o Haganá Vision já monitora 30 guaritas, 24 horas por dia, na capital paulista.

O investimento na equipe de segurança também é intenso. De acordo com o diretor-comercial, os profissionais passam por um rigoroso processo seletivo e de treinamento. Depois de serem avaliados por quatro psicólogos, haver investigação social e análise de antecedentes criminais, os funcionários ainda recebem um treinamento em Krav-Magá, um tipo de defesa pessoal utilizada pelo exército israelense e que não utiliza armas. "Quase todas as noites ministramos palestras sobre segurança com o intuito de elevar o nível de conhecimento dos condôminos", diz Caetano.

Alta tecnologia – Para garantir a segurança, muitos condomínios e empresas estão adaptando sua infra-estrutura com produtos de alta-tecnologia, como a biometria, por exemplo, que permite a identificação do morador ou funcionário por meio de características únicas de cada indivíduo, como impressão digital, íris, geometria da mão e da face.

Segundo Ricardo Yagi, diretor da Id Tech, empresa brasileira que atua desde 1993 no mercado de soluções tecnológicas e serviços especiais em biometria, processamento de imagens e segurança de controle de acesso, a biometria está se tornando uma eficiente aliada à redução de fraudes e crimes em condomínios.

Para ele, há fortes indícios de expansão do setor. De acordo com estimativas divulgadas pela International Biometric Group (IBG), de 2006 a 2008, o mercado de biometria movimentará US$ 13 bilhões no mundo. Hoje, as tecnologias de impressão digital e identificação através da íris somam 48% e 10% do mercado, respectivamente. No Brasil, ainda não existem estatísticas oficiais que demonstrem a expansão desse tipo de empreendimento. (MO)

     


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